MAORI

História
Acreditasse que os maoris pertenciam à raça polinésia; oriundos das ilhas Cook, haviam alcançado a atual Nova Zelândia em várias levas, provavelmente nos séculos XIII e XIV. As tradições do povo maori fazem parte integrante da cultura do mundo neozelandês. Antes da infiltração dos brancos, os maoris viviam em núcleos comunais, cercados de fortificações e construídos, tanto quanto possível, em posições inexpugnáveis. Cada aldeia tinha o seu chefe. Cada comunidade tinha o seu tohunga, ou Grande Padre, a sua escola para instrução oral dos jovens e a sua sede de reuniões. As casas, as canoas, os instrumentos e as armas eram esculpidos com ornatos elaborados. Os maoris de alta linhagem tatuavam o rosto e o corpo com desenhos baseados nos símbolos fálicos esculpidos nos objetos. A guerra era expressão da vida, os cerimoniais tinham parte importante na vida de todos os dias. As armas e instrumentos eram feitas de osso, pedra ou madeira, com exceção dos mais valiosos, que eram talhados na rocha verde extremamente dura da Nova Zelândia.

 


Falam de que os Maori surgiram da batalha entre o Céu e a Terra e sendo eles filhos desses dois Deuses têm em si as características de ambos.
Na guerra, a sua coragem e força só eram igualadas e talvez excedidas pelo seu cavalheirismo. Corre uma série de histórias a esse respeito. Diz-se, por exemplo, que os maoris mandavam comida e munições para os brancos sitiados, a fim de que esses pudessem lutar em iguadade de condições. Conta-se também que os maoris avisavam ao inimigo que estavam se aproximando e falavam em voz alta para baixarem as cabeças pois iriam atirar.

 

A TRADIÇÃO- Kaupapa

Dentro das tribos a sociedade dava muita importância à sua tradição, Kaupapa em sua língua, e a estrutura do estado e tudo que gravita ao seu redor está profundamente ligada ao Kaupapa. A estrutura política dos Maori se dava pelo Mana, que poderia ser traduzido como autoridade, controle, influência, ou em uma palavra prestígio.
Para eles existiam três diferentes tipos de Mana, um adquirido ou seja, que já se nasce com ele, e representa sua estrutura física, sua família, sua saúde etc; um Mana próprio, que é aquele que as pessoas te dão por mérito e que pode ser conquistado e aumentado em vida; e um Mana grupal que te caracteriza pelo grupo que participa, a tribo o estado, etc.
O Mana não é algo somente agregado, ele deve ser mantido depois de conquistado às custas de esforço e de um comportamento digno da posição ocupada. Por serem uma tribo guerreira, os méritos sempre eram exaltados assim como todas as transgressões e os maus exemplos eram severamente punidos para não deixar máculas no estado. Deste ponto fica claro que toda a tradição Maori, assim como toda a tradição guerreira, traz consigo uma moral muito estrita que se vê bem presente em todos os ramos da sociedade.

A MORAL COMO BASE DO ESTADO - Mana

Devido à tradição Maori ser completamente verbal, a palavra tem um valor muito significativo dentro do estado sendo a via moral de conciliar as palavras com os atos uma prática natural e enraizada em todos os ramos da sociedade tendo as mais severas punições para aqueles que quebravam com sua palavra. Essa mentalidade, que era completamente colocada em prática, era fundamental para a educação dos jovens já que, quando se age moralmente seu Mana cresce e quando se age sem os princípios da moral seu Mana lhe é retirado maculando não só a própria pessoa mas todos os seus ancestrais, pelo Kaupapa da família, e toda a sua tribo pelo Mana grupal.

ESTRUTURA DO ESTADO

A estrutura das tribos Maori se centrava em três edifícios principais:

O Marae, ou Te – Maraenui – atta – o – Tumataenga que significa a Grande casa do Deus Tumataenga, que era o Deus da guerra, era o edifício político por excelência, lá se reuniam somente os homens para resolverem assuntos pertinentes aos indivíduos o à própria tribo, era a casa do julgamento onde sobre os olhos de seu Deus patriarca os Maori resolviam as disputas pessoais e onde os assuntos eram debatidos, toda cerimônia de importância comum também tinha cabida no Marae.
O Whare Hui, era a casa de encontro, onde os habitantes da tribo se encontravam informalmente e era de livre acesso a todos, lá se discutiam os trabalhos cotidianos, eram realizados os ofícios e as artes, no Whare Hui, eram celebradas as cerimônias aos Deuses tutelares e onde a educação dos jovens era ministrada em sua maior parte.
O Whare Kai, era o refeitório onde todas as refeições eram servidas e todos participavam em conjunto, no Whare Kai não se compartilhava apenas o alimento físico, esse era apenas um símbolo para o compartilhamento do alimento espiritual, essa mentalidade de união dos Whare Kai, se estendia por toda a tribo e tinha por objetivo gerar uma mentalidade de família entre os membros de tribo e um sentimento de identidade o que tornava essa união algo natural

A FAMILIA COMO BASE FUNCIONAL DO ESTADO

Dentro das tribos, onde a mentalidade de união era trabalhada desde o berço, a família exercia um papel de fundamental importância, a hierarquia do estado, que era muito bem definida pelo Mana e pela moral dos Maori, se estendia para as famílias, sendo estas a instituição estatal por excelência. O patriarca da família exercia o papel de ancião e conduzia a família inteira de acordo com as decisões tomadas no Marae. Os anciões da tribo, que mantinham em suas pessoas a liderança dos assuntos da tribo, tinha a sua extensão nas famílias e essa estrutura coesa e firme permitiu que a tradição Maori perdurasse durante muito tempo.
Para eles, a Kaupapa da família em si já era muito importante e podemos observar isso nos ritos funerários, os Tangihanga, onde enquanto o recém falecido era enterrado, sua família exaltava seus feitos em vida trazendo a tona seu Mana, e reafirmando os laços familiares daqueles presentes. Para eles a morte era algo natural e como os ciclos, a vida dá lugar à morte e essa à vida mas era ao Mana que os cantos, monumentos e ritos eram celebrados.

FORMAÇÃO MAORI - Kapa – Haka

A formação Maori, Kapa – Haka, começava desde o berço em forma de brincadeiras e jogos simbólicos que tinham como o objetivo desenvolver a agilidade, flexibilidade, coragem e destreza nas crianças. Numa idade avançada, o exemplo era o grande professor à medida que os estudos dos ofícios e das artes eram-lhes paulatinamente introduzidos e sua participação na tribo se fazia mais presente. As Artes faziam parte integrante da vida dos Maori e estavam presentes em ritos e cerimônias sendo a música e a dança realizada por todos e também eram muito bons na arte da escultura e da pintura que se apresentava principalmente com as tatuagens que representavam seus feitos em vida, uma imagem de seu Mana.
A maturidade deveria ser conquistada e não simplesmente atingida tendo o jovem que passar por provas de iniciação para conquistar seus direitos e estes eram simbolizados por tatuagens específicas nos corpo dos adultos.

Na formação guerreira maori o culto aos antepassados é fundamental. Contam os maoris:

“Antigamente a terra sentia um grande vazio.
Ela esperava ser povoada por alguém que a amasse.
Esperava por um líder.
E ele veio montado numa baleia.
Um homem que lideraria um novo povo.
Nosso ancestral, Paikea.”

Os maoris consideram seus líderes atuais, os que são capazes de tirar o povo da escuridão, descendentes de Paikea. Paikeia é o primeiro que ouve o choro dos homens. Vem de Hawaiki, onde vivem os ancestrais. A lenda conta-nos que Paikea vinha em uma canoa e esta afundou, pediu força para os ancestrais e com essa “força”, encantou uma baleia. Montou nela, e veio até o nosso mundo liderar os homens. Chegou em um local chamado Whangara e começou a civilizar a humanidade. Por isso Paikea é também conhecido como o domador de baleias.

A escola de formação, whitiria, é de caráter sagrado. Sistema de formação tradicional, busca desenvolver as virtudes e qualidades de um chefe. Procura-se o autêntico muruwai, ou sangue de guerreiro. Os discípulos são testados por sua força, coragem, inteligência e liderança.
Os novos grupos de discípulos guerreiros têm suas boas vindas maori numa cerimônia tradicional chamada Powhiri. Uma mulher introduz os novos ao grupo através da “ karanga”, espécie de canto cerimonial suave e profundo seguido de gestos rituais.
Os velhos maoris ensinam através de perguntas forçando respostas. Cria-se no discípulo uma esfera de conflito e incentivam o uso do discernimento e do pensamento rápido num momento de extrema pressão. Expõe os candidatos a líder à situções de perigo, com seus companheiros ou na natureza para desenvolverem a capacidade de lidar com o wehi, que significa medo. Para isso descobrem seu ihi ou força, e que essa força não é externa e sim interna. Também é ensinado que a força vem da união de todos os seus irmãos, que o ihi que faz vencer o wehi é a força que vem dos ancestrais, é a força que os ancestrais deram à Paikea para domar a baleia.
A força suave ou interna sempre esteve bem representada da cultura marcial maori, vemos claramente isso em seu cumprimento tradicional, conhecido como Hongi, tocam a testa e o nariz ao mesmo tempo. A testa representa a força e o nariz a bondade(carinho). Intimo e confrontante. Em suma, a força interior.
A dança típica é o Haka, preparatória para a luta de jovens guerreiros contra inimigos imaginários. Trata-se de uma dança em que se nota a elasticidade e o excelente manejo com as clavas e onde a tradicional careta, expondo toda a língua, tem a intenção de intimidar o inimigo.
Aprendem a dominar a Taiaha. A taiaha é um instrumento de guerra, de luta, feita com uma madeira especial, assemelha-se a um bastão de 1,5m. Desde o início aprendem que para dominar a taiaha é preciso respeitá-la. É preciso tê-la como extensão do corpo. Treina-se uma postura de combate específica e aprende-se a movimentar-se marcialmente. Desenvolvem a pukana, técnica de esbugalhar os olhos para ameaçar, é uma forma de olhar muito específica, semelhante ao olhar da baleia, canaliza a energia e o poder deste animal sagrado. Na haka, dança guerreira, mostram a lingua e fazem caretas amedrontadoras. Batem em seu próprio peito com força chamando o inimigo para o confronto. Quando expõem toda a lingua, batem no peito e esbugalham os olhos, estão dizendo a seus inimigos algo como: Vou te devorar, vou quebrar a sua cabeça com minha taiaha, comerei seu coração… Imagine o pavor dos europeus quando tiveram que combater pela primeira vez com guerreiros assim.
A prova final de reconhecimento do líder se faz no mar. O líder lança ao mar seu reiputá, dente de baleia símbolo do poder do chefe, “ quem tem o dente tem a mandíbula”. Aquele que recuperar o reiputá passa a ser o novo líder e velará por toda a tradição.
O ritual de aceitação do líder, acreditasse que o líder vem de uma longa linhagem de chefes que vai até o “domador de baleias”, se dá numa waka taua, canoa de guerrra tradicional. Cria-se uma dança vigorosa de guerreiros e guerreiras, uma espécie de “preparo para a guerra”, batem no corpo, promovendo equilibrio de energias internas etéricas com energias externas físicas do corpo, arregalam os olhos e mostram a língua com um canto forte, após esse impactante ritual, entram todos num barco e dão a volta da iniciação em sinal do reconhecimento do líder.
O espírito guerreiro maori sobrevive até os dias de hoje. Já tentaram fazê-los perder suas origens, esquecer seu idioma, e até mesmo esquecerem quem são. No entanto, sua força interna e cavalherismo sobrepassam todas as fronteiras do imaginável.Talvez o segredo dos maoris esteja em seus ancestrais, talvez neles mesmos. Talvez esteja em algum lugar onde todo guerreiro possa encontrar sua batalha perfeita. Talvez onde possa encontrar aquilo que chamam de deus da guerra interior.

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